sábado, 29 de agosto de 2009

da manifestação e truculência

O governador Cid Gomes (PSB - CE) é conhecido pela sua inábel capacidade de desviar o foco da discussão. No Itaperi, em 3 de julho, foi pressionado pelos estudantes e docentes a responder sobre a carência de 540 professores. Não tomou posição, preferiu ficar falando da sua "boa vontade" com os professores, que faz concurso não por pressão, mas por conscência.

Ontem, como escreví abaixo, aconteceria a entrega das viaturas do programa RONDA do quarteirão em Itapipoca. Primeiro problema: cadê os estudantes? A baixa mobilização foi um empencilho para que o governador e a população em geral não sintam a urgência do problema. Vamos aos fatos.

O governador começou a fala dizendo "antes de tudo vou fazer uma limpeza aqui", referindo-se aos cartazes que foram levantados mostrando as reivindicações dos estudantes com relação ao atual estado da universidade. Ele fala isso porque trata os professores como um lixo que, supõe, pode ser manobrado como um problema secundário quando o que interessa, na urgência do evento, é a entrega de viaturas e contigente militar, e não a educação para um povo facilmente manipulado com os números.

Leu os cartazes e partiu para o ataque. Disse que governante nenhum investiu tanto quanto ele na universidade, que faria a escola técnica, depois, inexplicavelmente, falou até de um aeroporto que traria para o município, estradas, 100 milhões R$ em investimentos para Itapipoca. Ok, e cadê a faculdade nessa história! Mostrou números, números. Mas o único número que nos interessava na manifestação ele não falou: faltam 540 professores nas três universidades estaduais (UECE, UVA e URCA). Na URCA os estudantes não têm sala de aula, assistem num depósito improvisado numa fábrica abandonada.

Mas o governador foi pressionado, mostramos os cartazes "PROFESSORES", apenas ele não falou! Chamou um dos estudantes para subir no palco mas desistiu, recuou porque sabia o que viria: cadê concurso pra professor efetivo?

O governador falou que era preciso ter "bom senso" com os problemas públicos umas dez vezes, mas quando o assunto é educação ele não parece se interessar muito. As reivindicações continuarão com toda a força dos seus argumentos.

(em off)
Eu estava segurando um cartaz escrito "Sem professor não tem faculdade!" quando alguèm da segurança do governador chega perto de mim mandando eu baixar o cartaz. Eu digo que não baixo coisa alguma e ele me ameaça: "se não baixar vai piorar pra você". Continuei de braços erguidos, assim como o companheiro que ridiculamente levou um beliscão (isso mesmo) de um segurança enquanto levantava seu cartaz! "Isso é agressão!"

manifestação hoje (dia 29) contra o governador

O CA de pedagogia da FACEDI estará realizando uma manifestação hoje, na entrega do programa RONDA do quarteirão ao município de Itapipoca, pelo governador Cid Gomes. A solenidade acontecerá no bairro das Flores, às 19 horas, na praça da igreja São Expedito.

Estamos com cartazes, faixas e pedimos o apoio dos estudantes para comparecerem e manifestarem as carências da universidade: falta de professores, falta de estrutura, ausência de laboratório de informática e o estado lastimável da biblioteca.

E lembramos que o total do investimento das quatro viaturas mais 34 policiais do RONDA está estimado em 600 mil reais

Falta investimento na educação de qualidade!
O sucateamento da universidade precisa ser exposto!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

o circo no qual se transformou o senado

Pela primeira vez na vida (e espero sinceramente ser a última) concordei com o senador Demóstenes Torres (DEM - GO) quando este disse, ontem, após o bate-boca entre o tucano Tasso Jereissati, do Ceará, e Renan Calheiros (PMDB - AL):

"Para que existe o Senado? Para que existe o Congresso Nacional? Somos um bando de fouchés, figuras menores, que vêm aqui com o único objetivo do enriquecimento pessoal e não para defender os interesses da sociedade?”

A cena de ontem foi de uma mediocridade sem limites: ver um bandido como o Renan dar lição de moral é de uma imoralidade gritante! Eis a ficha do criminoso, no episódio que ficou conhecido como "renangate": tráfico de influência na compra de empresas de refrigerantes; esquema de espionagem contra senadores da oposição do presidente Lula; uso de laranjas na compra de estações de rádios; uso de empresas fanstasmas para comprovar rendimentos; aluguel de 4,5 mil reais de um apartamento de quatro quartos em Brasília pago com dinheiro público.

Precisa ainda falar do Tasso? Então vai: utilização de suas cotas de passagens aéreas para fretar voos em jatinhos executivos; fora os gastos que somaram R$ 335 mil entre 2005 e 2007. De 2007 até agora foram mais R$ 134 mil, totalizando R$ 469 mil, segundo o sistema de acompanhamento do Orçamento (Siafi).

Eis o circo da (pseudo)representação política!

domingo, 2 de agosto de 2009

A negação do congresso nacional como negação da política

Sindicatos como a CUT ou entidades como a UNE há muito tempo (7 anos) abandonaram as reivindicações para se unirem ao plano governamental de perpetuação do reformismo que de forma alguma romperá com o regime de carência que o modo de produção capitalista e a (falta de) lógica do mercado financeiro propõem.

Um presidente que defende programas tipicamente neoliberais como o PROUNI ao invés de investir na universidade pública acessível e de qualidade; que defende a grilagem criminosa e não a reforma agrária; um governo populista que há muito tempo se esqueceu dos seus ideais de luta e que tem como única meta a continuidade no poder, capaz de, para isso, defender a santidade de gente como Sarney (não que o PT seja muito diferente dos partidos ditos de direita hoje em dia, o PT nem conteúdo programático tem).

Lancemos o convite a todos os que se envergonham da "política", participemos das associações comunitárias, sindicatos, agremiações, encontros. Proponhamos uma nova política, ou até o fim da política como resultado último da emancipação humana. É mais que um convite ou uma reivindicação, é um desafio a todos aqueles que aspiram pela mudança radical!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

exagero?

Muita cara de pau do REItor da UECE, Francisco Araripe, de aparecer na televisão e dizer que o assalto a um professor dentro da sala de aula (às 12:30h!) foi um caso isolado, que o policiamento dentro da universidade já está sendo reforçado, e que é exagero da mídia, até má vontade, em tentar "denegrir" a imagem da universidade!

Não há a mínima segurança no Itaperi. Os professores atendem o pedido dos alunos para que as aulas terminem mais cedo; falta um mínimo de iluminação e os estudantes são aconselhados a andar em grupo. O assalto que aconteceu na segunda (6), em plena tarde, mostra a debilidade da adiministração. E o REItor fala em exagero! Ano passado teve tiroteio dentro do campus, por conta de arrombamento de carros.

terça-feira, 7 de julho de 2009

agredido ou agressor?

A mídia cearense divulgava na sexta-feira (3) com grande estardalhaço a "bagunça" que os estudantes da UECE faziam quando da reinauguração da biblioteca do campus do Itaperi, que contou com a presença do governador Cid Gomes (PSB). O detalhe dessa "comemoração" é que não tinha um livro novo no acervo.

Os meios não tocaram na principal questão: a quase estagnação da universidade com a carência de professores. A falta de estrutura física dos diversos campus também é de total abandono: na URCA os estudantes assistem as aulas em fábricas abandonadas (!) porque simplesmente não têm sala de aula. Na FACEDI a biblioteca, as instalações, os banheiros, tudo em lamentável estado.

Entre outras reivindicações dos estudantes, estão a reforma do Restaurante Universitário, construção do Hospital Veterinário, novos veicúlos para a universidade, etc.

Lamentável a atitude dos estudantes de geografia que, ao anúncio da aquisição de novos ônibus para o curso, esqueceram a falta de professores e passaram a aplaudir o governador. Nem falo da maioria dos estudantes das exatas porque nem se deram ao trabalho de ir até o auditório.

Pois os jornais limitaram-se a mostrar a manifestação dos estudantes como agressão mas não enxergam, ou fingem não enxergar, que a agressão foi o discurso demagógico desse que não passa de mais um político medíocre da família Gomes, um sujeito que não tem o mínimo respeito com os professores da rede estadual, inescrupuloso com seus projetos faraônicos que de forma alguma beneficiarão o povo. Povo esse que infelizmente ainda acredita que a melhor forma de acabar com a violência é colocar pobre na cadeia, pois esta é a sua principal base eleitoral. Ele bem que suou pra enrolar, enrolar. Falou até do aquário! Mas não aceitou os concursos. E ele sabe muito bem o que acontece com tamanha truculência.

notas:
Do governador: "sei que aqui vocês são socialistas mas eu não sou, eu sou contra o socialismo", disse o político do partido socialista brasileiro (PSB).
"Eu fiz o concurso (para novos professores, em 2006) porque a minha consciência pediu. Não foi pressão, foi porque EU quis".

quinta-feira, 23 de abril de 2009

o anarquismo

O principal problema do anarquismo é que ele espera sem sucesso nenhum que nasçam homens espirituosos que tenham como compromisso irremediável a quebra do Estado, sem antes pensar na problematização das relações sociais criadas por esse mesmo Estado e que se manifestam em todas as atitudes desses homens nada espirituosos.

O anarquismo pode ser considerado como medida política apoiada na práxis hoje em dia? Não consigo imaginar como. Pra mim não passa de movimento contemplativo que não sairá nunca da utopia ao imaginar uma sociedade sem imposições da diversas ordens sem antes pensar no caráter essencial de qualquer revolução: imposição do desejo de um grupo ao todo. Não há nada mais autoritário do que uma revolução, já definiu bem Engels, que, ao enumerar as diversas falhas do anarquismo cita essa incompreensão dos companheiros da importância do uso da força (consciência maior que essa não pode existir) para a quebra da resistência adversária. Quando o Chomsky vem falar que o Lênin foi um dos "piores inimigos da democracia" não dá pra não torcer a cara e ver que o anarquismo não sairá nunca das gavetas esquecidas, gavetas empoeiradas que guardam textos também empoeirados de seus grandes idealizadores pequeno-burgueses que, sinceramente, não fizeram uma crítica conscistente ao problema do Estado: eles enxergam que há uma luz no túnel, mas não fazem idéia de como levantarem das cadeiras (ou das cadeias) para chegar lá. Lênin fez.